Resenha de livro: A Magia de Matsumoto: O Método Suzuki de Educação, da Dra. Carolyn M. Barrett

Ao longo dos anos em que fui professor de piano Suzuki, li muitos livros sobre a filosofia Suzuki e os princípios de ensino Suzuki. Vários desses livros foram escritos pelo próprio Dr. Shinichi Suzuki, e outros foram escritos por discípulos altamente respeitados de seu método. Estive até mesmo em Matsumoto, no Japão, em duas ocasiões, e visitei o museu na casa do Dr. Suzuki. Eu achava que sabia tudo o que havia para saber sobre o Dr. Suzuki, mas The Magic of Matsumoto: The Suzuki Method of Education me surpreendeu. O livro da Dra. Carolyn M. Barrett está repleto de novas informações que eu não conhecia sobre a vida pregressa do Dr. Suzuki e sua jornada na criação de sua profunda filosofia de educação. Minha mente se abriu para uma compreensão ainda maior desse homem e das conquistas de sua vida.
A Dra. Carolyn Barrett é diretora do Suzuki Music Studio em Reston, Virgínia, onde leciona violino, viola, violoncelo e piano. Ela viajou três vezes para Matsumoto, no Japão, para estudar com o Dr. Suzuki e fazer a pesquisa para este livro. Ela adquiriu conhecimento sobre o Método Suzuki tanto como aluna quanto como observadora. Conversou com o Dr. Suzuki e outros que lhe permitiram escrever um relato tão completo da história desse método, bem como do próprio homem. A Dra. Barrett aborda todos os princípios da filosofia Suzuki e frequentemente os relaciona com o que ela observou em várias aulas em Matsumoto.
Após a introdução, o livro contém nove capítulos. Os dois primeiros abordam a biografia do Dr. Suzuki e, em seguida, a história e o crescimento do movimento de educação de talentos. Fiquei surpreso e satisfeito ao saber mais sobre Masakichi Suzuki, o pai de Shinichi, e o desenvolvimento de sua fábrica de violinos em Nagoya. Embora Shinichi estivesse destinado a frequentar uma escola comercial e administrar os aspectos comerciais da fábrica, seu pai acabou apoiando o desejo de Shinichi de estudar violino, tanto em Tóquio quanto em Berlim, na Alemanha. Posteriormente, Masakichi também apoiou o casamento de Shinichi com Waltraud, uma alemã, em uma época em que isso era algo inédito no Japão.
Enquanto estudava em Tóquio, Shinichi estava começando a formular seus conceitos de educação e como ele achava que o sistema em seu país precisava ser mudado. Em Berlim, ele se deu conta da influência de grandes pessoas em seu ambiente, especialmente Alfred Einstein. Einstein achava que seu próprio estudo do violino era a força motriz por trás de suas descobertas científicas. O Dr. Suzuki foi inspirado a encontrar a ligação entre inovação, arte e humanitarismo, e isso, é claro, tornou-se o trabalho de sua vida.
O livro prossegue documentando como o Dr. Suzuki desenvolveu sua escola em Matsumoto. Já em 1929, ele estava trabalhando nos 10 volumes de repertório para violino que se tornariam o núcleo da Suzuki Violin School. Mas tão importante quanto a educação musical era seu desejo de mudar o sistema educacional nas escolas do Japão. Ele se esforçou para convencer vários educadores de que seus métodos seriam superiores e teve a oportunidade de fazer experiências com o ensino em sala de aula. É fascinante ler sobre seus esforços, embora ele nem sempre tenha sido bem-sucedido em promover mudanças permanentes no sistema geral.
Em outro capítulo, o Dr. Barrett faz uma comparação interessante entre o Método Suzuki e várias teorias de aprendizado que se destacaram por volta da década de 1940, dos psicólogos Ivan Pavlov, Edward Thorndike e B.F. Skinner. O Dr. Suzuki nunca tinha ouvido falar desses nomes, mas descobriu alguns de seus princípios, como o condicionamento operante, por meio de sua própria intuição e experiência.
A narrativa abrange observações detalhadas da modelagem usada na educação Suzuki, a tecnologia que o Dr. Suzuki adotou em seu ensino e também os conceitos do Zen que residem em sua filosofia de ensino. O sucesso não é definido pelo alto nível de realização musical alcançado, mas pelo desenvolvimento de habilidades para a vida, como paciência, trabalho árduo, concentração e capacidade de resolver problemas.
O autor menciona mais de uma vez que o relacionamento entre o professor e o aluno é de extrema importância. O Dr. Suzuki era amável, paciente, gentil e adorava fazer brincadeiras. Mas ele também exigia o domínio de cada habilidade individual antes que o aluno passasse para outra habilidade.
Espero que esta resenha o inspire a ler o livro. Esse é o tipo de livro que se pode ler várias vezes e sempre sair com novas percepções sobre o trabalho realizado pelos professores da Suzuki. Essa leitura fez com que eu refletisse sobre meu próprio ensino e me concentrasse nas áreas em que poderia melhorar. Nunca devemos perder nossa motivação para promover o trabalho do Dr. Suzuki. Devemos continuar a nos esforçar para recriar a "mágica" de Matsumoto.
