{"id":34341,"date":"2021-05-05T09:46:00","date_gmt":"2021-05-05T15:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/suzukiassociation.org\/?post_type=journalarticle&#038;p=34341"},"modified":"2024-09-19T10:33:36","modified_gmt":"2024-09-19T16:33:36","slug":"my-45-years-with-william-starr","status":"publish","type":"journalarticle","link":"https:\/\/suzukiassociation.org\/pt\/journalarticle\/my-45-years-with-william-starr\/","title":{"rendered":"Meus 45 anos com William Starr"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"960\" src=\"https:\/\/suzukiassociation.org\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Amy_and_Mr._Starr.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-34342\" style=\"width:451px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/suzukiassociation.org\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Amy_and_Mr._Starr.jpg 960w, https:\/\/suzukiassociation.org\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Amy_and_Mr._Starr-300x300.jpg 300w, https:\/\/suzukiassociation.org\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Amy_and_Mr._Starr-150x150.jpg 150w, https:\/\/suzukiassociation.org\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Amy_and_Mr._Starr-768x768.jpg 768w, https:\/\/suzukiassociation.org\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Amy_and_Mr._Starr-12x12.jpg 12w, https:\/\/suzukiassociation.org\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Amy_and_Mr._Starr-600x600.jpg 600w, https:\/\/suzukiassociation.org\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Amy_and_Mr._Starr-100x100.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sr. Starr e Amy Gesmer-Packman.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posso ouvir a voz do Sr. Starr em minha cabe\u00e7a e ouvi-lo limpando a garganta. Vejo seus olhos brilhantes e o sorriso que ilumina todo o seu rosto. \u00c9 a voz do Sr. Starr mais jovem, que sempre gostou de contar hist\u00f3rias e compartilhar suas ideias. N\u00e3o \u00e9 a voz mais velha e fr\u00e1gil que tamb\u00e9m continuou me contando hist\u00f3rias e compartilhando at\u00e9 seus \u00faltimos dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conheci o Sr. Starr em 1976, quando cheguei \u00e0 Universidade do Tennessee, vindo da regi\u00e3o de Chicago. Ele pegou uma violinista de 18 anos com pouca confian\u00e7a e a ajudou a dar a volta por cima. Ele me chamou de \"rainha dos negativos\" e disse que me daria uma coroa. Eu tinha muito trabalho a fazer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parte desse trabalho foi o vibrato, muitas vezes chamado de a alma do violino. Grandes violinistas \u00e0s vezes t\u00eam um conhecimento intuitivo de seu instrumento, mas pouco conhecimento de como os outros aprendem. Grandes professores, como o Sr. Starr, t\u00eam conhecimento de ambos. Quando era um jovem violinista, o Sr. Starr ouvia grava\u00e7\u00f5es e desenvolveu sua pr\u00f3pria maneira de aprender o vibrato. Ouvir Albert Spaulding se apresentar v\u00e1rias vezes foi um ponto alto dos anos de forma\u00e7\u00e3o do Sr. Starr. Ele contava que dirigia por horas desde sua pequena cidade no Kansas para ouvir Spaulding tocar. O Sr. Starr sentava-se na primeira fila e observava o vibrato de Spaulding.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi o vibrato que uniu pela primeira vez o Sr. Starr e o Dr. Suzuki. O Sr. Starr estava tocando em um quarteto com John Kendall no primeiro Workshop Suzuki na Southern Illinois University em 1965. Essa foi uma apresenta\u00e7\u00e3o improvisada na hora do almo\u00e7o e o Dr. Suzuki estava na plateia. Ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o, o Dr. Suzuki disse: \"Preciso falar com aquele violinista com o vibrato maravilhoso\". O timbre maravilhoso e o cora\u00e7\u00e3o maravilhoso estavam unidos tanto no Dr. Suzuki quanto no Sr. Starr a partir de ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1982, depois que me formei e j\u00e1 tinha dois anos de magist\u00e9rio, o Sr. Starr me ofereceu a oportunidade de iniciar um programa Suzuki para ele na Universidade do Colorado, em Boulder, enquanto eu fazia meu mestrado em m\u00fasica. N\u00f3s divid\u00edamos um escrit\u00f3rio na universidade. O Sr. Starr ensinava os alunos da faculdade de manh\u00e3 e no in\u00edcio da tarde e eu ensinava os alunos Suzuki \u00e0 noite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m davam aulas no programa conforme suas agendas permitiam. Tivemos professores fant\u00e1sticos que passaram pelo que na \u00e9poca se chamava Boulder Suzuki Violins. Mais tarde, quando pudemos acrescentar viola e violoncelo, passamos a nos chamar Boulder Suzuki Strings. Como parte de meu curso, assisti novamente \u00e0s aulas de pedagogia do Sr. Starr. Toda vez que assistia a essa aula, ficava impressionado com a forma como ele equilibrava novas ideias e repeti\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De 1982 a 1985, o Sr. Starr lecionou nos workshops de violino da Suzuki Boulder \"Starr\". Os jovens alunos e seus pais estavam sempre muito animados para trabalhar com o Sr. Starr. Como um presente especial, o Sr. Starr e sua esposa, Connie, tocavam sua Varia\u00e7\u00e3o Z em Twinkles para os alunos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1985, depois que conclu\u00ed minha gradua\u00e7\u00e3o, decidimos que a melhor op\u00e7\u00e3o era que o programa Suzuki se tornasse independente da universidade. O Sr. Starr continuou a trabalhar com as crian\u00e7as e os pais e a enviar alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da CU para observar e ensinar conosco. Ele se apresentava para os alunos e, ocasionalmente, ministrava masterclasses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus alunos ficavam muito animados quando ele pedia que dessem nomes aos dedos para que eles se comportassem e fizessem o que deveriam fazer. Ele sempre dizia que, ao ensinar, era preciso aumentar o interesse e diminuir a tens\u00e3o. Uma maneira de diminuir a tens\u00e3o \u00e9 \"dividir em partes\", ou seja, concentrar-se em uma parte de uma pe\u00e7a de cada vez. Ele tamb\u00e9m falava sobre a alegria da realiza\u00e7\u00e3o. Como professores, \u00e9 nosso trabalho criar confian\u00e7a no aluno, motiv\u00e1-lo por meio da concentra\u00e7\u00e3o e do foco. Devemos capturar o esp\u00edrito da crian\u00e7a para brincar por meio do interesse e da observa\u00e7\u00e3o. Devemos nos divertir \"maravilhosamente\", dizia ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de ensinar, o Sr. Starr escreveu muitos livros, dos quais ele nos entregava c\u00f3pias de uma p\u00e1gina. N\u00f3s trabalh\u00e1vamos neles em aulas em grupo e particulares e os apresent\u00e1vamos pela cidade, \u00e0s vezes antes mesmo de serem publicados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2002, o Sr. Starr se aposentou da CU. Ele continuou a ministrar o curso de pedagogia, mas n\u00e3o lecionou mais para os cursos de violino na universidade. Convidei o Sr. Starr para dar aulas em grupo conosco na BSS. Ele concordou e continuou fazendo parte do corpo docente at\u00e9 o outono de 2019. O Sr. Starr dava duas horas de aulas em grupo, sempre ensinando os grupos mais avan\u00e7ados. Em um ano, fizemos com que ele alternasse entre diferentes grupos de violino para que todos os alunos de violino do programa tivessem a chance de trabalhar com ele. Ele tamb\u00e9m participou de muitas de nossas reuni\u00f5es do corpo docente. Alguns de nossos alunos mais avan\u00e7ados tinham aulas particulares semanais com o Sr. Starr, al\u00e9m das aulas com um professor da BSS. Tive a sorte de assistir e observar essas aulas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Sr. Starr adorava ensinar em grupo e era meticuloso em seu planejamento. Ele era apaixonado por dedicar tempo em cada aula para a leitura \u00e0 vista. O Sr. Starr apontava os arcos e frases acidentais e os lembrava de tomar cuidado com a velocidade do arco. Ele adorava trabalhar o vibrato com os alunos.  Acho que isso fazia os alunos tremerem, pois ele percorria a sala fazendo com que cada aluno tocasse a nota L\u00e1 na corda Mi, 4 arcos, e ele comentava e dava uma mini-aula. O Sr. Starr sempre lembrava os alunos da palavra japonesa \"minasan\" - todos eram importantes e tinham de dar o melhor de si. Quando ficou mais velho, ele e eu d\u00e1vamos aulas em grupo juntos. Eu fazia anota\u00e7\u00f5es sobre as aulas em grupo que ele ensinava e as compartilhava com os outros professores da BSS. O grupo avan\u00e7ado agora se chama \"The Starr Group\" em sua homenagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Sr. Starr sempre dava aulas em nossos workshops de inverno ou primavera, de modo que todos os alunos de violino tinham a oportunidade de trabalhar com ele. Nos concertos finais, ele adorava se levantar em meio ao mar de crian\u00e7as para conduzir o Twinkles no final, usando seu arco para fazer com que as crian\u00e7as de todas as idades tocassem alto ou baixo, dependendo da altura do arco. Ele se alegrava muito com os aplausos no final desses workshops. Ele tamb\u00e9m levava os alunos a repetir para seus pais: \"Obrigado por me deixarem estudar m\u00fasica. E me desculpe por todos os problemas que causei na pr\u00e1tica\".<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele conduziu nossos solos anuais de formandos s\u00eanior com o corpo docente e a orquestra de alunos. Os alunos estavam ansiosos para se vestir bem e se apresentar com uma orquestra regida pelo Sr. Starr. Ele foi muito simp\u00e1tico e encorajador com esses alunos de todos os n\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele assistia aos nossos recitais solo e aconselhava o corpo docente e os alunos sobre o que precisava ser trabalhado e o que estava indo bem. Ele foi uma presen\u00e7a real por muitos anos. \u00c0 medida que foi ficando mais velho, ele dava aulas em grupo por apenas uma hora, ainda planejando cuidadosamente e aproveitando o tempo com as crian\u00e7as. Muitas vezes ele chegava cedo e me observava trabalhar com nossos alunos pr\u00e9-twinkle.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">T\u00ednhamos a tradi\u00e7\u00e3o de realizar um concerto em dezembro para que grupos e conjuntos mais avan\u00e7ados se apresentassem. Ele adorava uma pe\u00e7a que havia arranjado para os alunos, que chamamos de St. Ele a regia uma vez em uma velocidade adequada. Depois, sorria, colocava os alunos no que cham\u00e1vamos de \"velocidade Starr\" e ia embora ou ficava sentado enquanto eles executavam a pe\u00e7a em uma velocidade incrivelmente r\u00e1pida em meio a muitas risadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o falecimento da Sra. Starr e a aposentadoria do Sr. Starr do grupo de ensino em 2019, meu marido Dan e eu tentamos visitar o Sr. Starr algumas vezes por m\u00eas. A cada visita, lev\u00e1vamos a ele muito chocolate amargo. Ele adorava falar sobre os velhos tempos. N\u00f3s simplesmente deix\u00e1vamos que ele conduzisse a conversa para onde quisesse. Agora, com sua morte, h\u00e1 um vazio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em algum lugar, h\u00e1 uma Sinfonia Twinkle com suas Varia\u00e7\u00f5es tocando ao mesmo tempo com um tom enorme.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Posso ouvir a voz do Sr. Starr em minha cabe\u00e7a e ouvi-lo limpando a garganta. Vejo seus olhos brilhantes e o sorriso que ilumina todo o seu rosto. \u00c9 a voz do Sr. Starr mais jovem, que sempre gostou de contar hist\u00f3rias e compartilhar suas ideias. 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